Levas-me as palavras como se elas não significassem nada.
Levas-me as palavras como se elas nunca fossem ditas.
Como se saíssem dissimuladas de silêncio,
Como se fossem apenas uma música sem ritmo, uma marcha sem passos ou um dilúvio sem uma mísera gota de água.
As minhas palavras não te irão cicatrizar.
As minhas palavras não te irão cicatrizar, pois és tu quem decide.
E eu, no epicentro do vácuo, vejo as estações passar de azul a cinzento.
Ouvimos a tragédia. Ouvimo-la como nunca. Segue-nos inextrincavelmente e sem clemência.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
A valsa
Rosas. Rosas e um quarto por valsar.
O som que nasce das paredes justapõe-se a uma identidade insípida, frígida e madraça.
O timbre penetra nos corpos sôfregos, moldando-os e congregando-os erógenamente num ser uno, não mutável.
O som, em uníssono, dos primeiros momentos do encomiástico lúbrico, torna quente e preenche o espaço vazio. Locupleta-o de brilho.
Gritos. Gritos que valsam num quarto.
Arrojadas posições-sinédoque que despertam o sentido animalesco dos corpos entesados que se cadenciam em acto contínuo.
Silêncio. Silêncio e um quarto valsado.
O som que nasce das paredes justapõe-se a uma identidade insípida, frígida e madraça.
O timbre penetra nos corpos sôfregos, moldando-os e congregando-os erógenamente num ser uno, não mutável.
O som, em uníssono, dos primeiros momentos do encomiástico lúbrico, torna quente e preenche o espaço vazio. Locupleta-o de brilho.
Gritos. Gritos que valsam num quarto.
Arrojadas posições-sinédoque que despertam o sentido animalesco dos corpos entesados que se cadenciam em acto contínuo.
Silêncio. Silêncio e um quarto valsado.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Ornato
Eu sou aquilo que vejo, que cheiro, que sinto e que ouço.
Eu sou aquilo que quero ver, que quero cheirar, que quero sentir e que quero ouvir.
Não me estou a definir, pois deixo as definições para quem quer ou para quem as tem.
Eu sei, mas guardo-as para ninguém mais saber.
O meu coração dói. E dói quando falo.
Quero esquecer porque saber é morrer. Saber é o fim.
O fim são palavras soltas, substituídas anacronicamente, sem concatenação.
E eu sempre imaginei algo mais…
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Corpúsculo
Pinta aquele rio para mim.
Pinta-o de azul-turquesa, nesta noite d’Outono
E fala-me com sons do sorvedouro.
Fala-me enquanto as árvores cedem as folhas e os fantasmas tripudiam
Entre a escuridão e o mar brilhante.
Os fantasmas deambulam nos caminhos, virgulados por sinos de prata, que evocam pelo teu nome
E o teu nome, coberto de pecado, assombra a galáxia mais longínqua
Cercando o corpúsculo numa dança que nunca se concluirá.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A cantiga que não tocará
O som etéreo já não ecoa. Não o sentimos no corpo.
Perdeu-se no último ósculo, na última pancada, no último contemplar.
A quinta-essência desvanece-se, penetrável como uma fissura.
Estéril, a melodia refreia-se escurecendo a saudade.
É o som da despedida e a última dança jamais se desenrolará.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A fragmentação dos sentimentos e dos seus apêndices
O vidro desfeito não será, com toda a certeza, um motivo para não continuar a passear neste carpido de turvas emoções. Fora desta translúcida concavidade, o ar é impregnado, indistinto e pronto a asfixiar as emoções, atravessando o corpo como se de uma azagaia se tratasse. Os pensamentos arrastam-se e as desordens são comutadas, dissolvendo-se em despojados actos, que convergem para a perturbação. Lá fora chove. E a chuva não é mais que a purgação da dor, da raiva, da lucidez e da insatisfação. Arrisco-me a dizer que as emoções são ópio dos sofredores.
A incerteza empedirna o terror. O sentimento do: agora estou aqui; agora não estou, exacerba a mais delicada Existência. A existência é estranha, cáustica. É o caminho sem rumo que, embora não seja palpável, levar-nos-á para a solidão. A solidão, para todos os efeitos, é a nossa melhor amiga. Nunca nos abjurará nem que seja apenas no fim do caminho. Mas estará lá. E no fim, no fim tudo o que nos traçou será apenas um monte de amargura que as chamas irão consumir docemente.
A incerteza empedirna o terror. O sentimento do: agora estou aqui; agora não estou, exacerba a mais delicada Existência. A existência é estranha, cáustica. É o caminho sem rumo que, embora não seja palpável, levar-nos-á para a solidão. A solidão, para todos os efeitos, é a nossa melhor amiga. Nunca nos abjurará nem que seja apenas no fim do caminho. Mas estará lá. E no fim, no fim tudo o que nos traçou será apenas um monte de amargura que as chamas irão consumir docemente.
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