quinta-feira, 14 de maio de 2009
A cantiga que não tocará
O som etéreo já não ecoa. Não o sentimos no corpo.
Perdeu-se no último ósculo, na última pancada, no último contemplar.
A quinta-essência desvanece-se, penetrável como uma fissura.
Estéril, a melodia refreia-se escurecendo a saudade.
É o som da despedida e a última dança jamais se desenrolará.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A fragmentação dos sentimentos e dos seus apêndices
O vidro desfeito não será, com toda a certeza, um motivo para não continuar a passear neste carpido de turvas emoções. Fora desta translúcida concavidade, o ar é impregnado, indistinto e pronto a asfixiar as emoções, atravessando o corpo como se de uma azagaia se tratasse. Os pensamentos arrastam-se e as desordens são comutadas, dissolvendo-se em despojados actos, que convergem para a perturbação. Lá fora chove. E a chuva não é mais que a purgação da dor, da raiva, da lucidez e da insatisfação. Arrisco-me a dizer que as emoções são ópio dos sofredores.
A incerteza empedirna o terror. O sentimento do: agora estou aqui; agora não estou, exacerba a mais delicada Existência. A existência é estranha, cáustica. É o caminho sem rumo que, embora não seja palpável, levar-nos-á para a solidão. A solidão, para todos os efeitos, é a nossa melhor amiga. Nunca nos abjurará nem que seja apenas no fim do caminho. Mas estará lá. E no fim, no fim tudo o que nos traçou será apenas um monte de amargura que as chamas irão consumir docemente.
A incerteza empedirna o terror. O sentimento do: agora estou aqui; agora não estou, exacerba a mais delicada Existência. A existência é estranha, cáustica. É o caminho sem rumo que, embora não seja palpável, levar-nos-á para a solidão. A solidão, para todos os efeitos, é a nossa melhor amiga. Nunca nos abjurará nem que seja apenas no fim do caminho. Mas estará lá. E no fim, no fim tudo o que nos traçou será apenas um monte de amargura que as chamas irão consumir docemente.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Os Meandros Anacrónicos
A vereda está traçada,
Os carris arcam o peso das decisões
E guiam-nos: ora por tormentos mundanos, ora por deleites surreais.
A vida está na sua senda e não esperará.
No fim, no fim não seremos mais que corpos ressequidos e inumados, intrinsecamente,
Pelas falsas decisões.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Negritude Existencial
Largaste-me a mão. Partiste.
E eu fiquei embriagado, plangente na solidão do imperecível e lacerante mundo.
Este mundo não me pertence – é glacial, sombrio e repulso.
Dilacera-me os sentidos enquanto eu, cego, finjo não querer saber.
Finjo.
Como dizia o mestre: pensar é estar doente e eu não quero.
Esfaqueia-me, sempre era mais fácil. Esventra-me, arranca-me o coração pois ele não lateja. É um pedaço de carne, sem vida e hediondo.
Caminho. Sem orientação.
O meu corpo tem a forma de um ser mas que, por dentro, é oco como um ataúde.
O brilho inerente à existência consumiu-se, jaz com os meus sentidos na agra dos olvidados.
Estarei morto ou é apenas um hiato que teima em não acabar?
Sinto.
Sinto a figura do nada. E o nada é o que me arruína.
E eu fiquei embriagado, plangente na solidão do imperecível e lacerante mundo.
Este mundo não me pertence – é glacial, sombrio e repulso.
Dilacera-me os sentidos enquanto eu, cego, finjo não querer saber.
Finjo.
Como dizia o mestre: pensar é estar doente e eu não quero.
Esfaqueia-me, sempre era mais fácil. Esventra-me, arranca-me o coração pois ele não lateja. É um pedaço de carne, sem vida e hediondo.
Caminho. Sem orientação.
O meu corpo tem a forma de um ser mas que, por dentro, é oco como um ataúde.
O brilho inerente à existência consumiu-se, jaz com os meus sentidos na agra dos olvidados.
Estarei morto ou é apenas um hiato que teima em não acabar?
Sinto.
Sinto a figura do nada. E o nada é o que me arruína.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
A Existência (Alienação de Sentimentos)
Majestosos e arrojados gritos
Que rejubilam, aritmeticamente, na ínfima e luxuriosa
Existência mordaz dos apóstolos da vida.
Presos, numa cordilheira de pensamentos,
Vomitam intrinsecamente deleites mundanos.
Alienados pela quimérica satisfação,
Esperam por milagres disformes.
Milagres, esses, que convergem num Mundo lento e espasmódico
Que jamais perecerá.
Olhares vorazes que petrificam a esperança.
Ponderações corrompidas, pela simples e desprezível existência,
Empregam o eterno padecimento dos meditativos.
Corpos, sem vida própria, executam metodicamente
Os movimentos mecânicos, autómatos e títeres da vida.
Pálida, a existência caminha sem circunspecção.
Que rejubilam, aritmeticamente, na ínfima e luxuriosa
Existência mordaz dos apóstolos da vida.
Presos, numa cordilheira de pensamentos,
Vomitam intrinsecamente deleites mundanos.
Alienados pela quimérica satisfação,
Esperam por milagres disformes.
Milagres, esses, que convergem num Mundo lento e espasmódico
Que jamais perecerá.
Olhares vorazes que petrificam a esperança.
Ponderações corrompidas, pela simples e desprezível existência,
Empregam o eterno padecimento dos meditativos.
Corpos, sem vida própria, executam metodicamente
Os movimentos mecânicos, autómatos e títeres da vida.
Pálida, a existência caminha sem circunspecção.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
21-11-06
Os céus choram a minha partida
e tudo o que me desfaz por dentro, consome-me
cada vez mais.
E eu sou restos de ti.
E eu sou pedaços de ardor que há em ti.
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